sexta-feira, 27 de abril de 2012

Carta a uma morta


Ontem recebi uma carta, que você morreu, ainda bem, não suportava vê-la tão linda na mão doutro homem. Talvez fosse loucura de minha parte, deter tamanha paixão, sem dizer, sem você saber que eu morria de amores por ti. Sabe? Se tem algo que me arrependo até hoje, foi não confidenciar-te meu amor. Talvez pense, como pude fazer isso? não te revelar este segredo de morte, mas não penses mal de mim, apenas peço-te que me entenda, que entenda o quanto sofri calado, o quanto a amargura e a tristeza me faziam companhia por estes longos anos. Agora jaz, aí no mundo dos mortos e eu aqui, no mundo dos vivos. Seria essa minha sina, a de amar sem te ver, de amar sem tocar? Peço a ti, que me espere aí mesmo, onde estas, pois se nasceres de novo irei te perder, e uma eternidade me separará de ti. Por fim pergunto, existe pecado maior, que tirar da gente quem amamos? Se existe, não sei. Minha hora vai vir, e não perderei outra chance, nem que seja nos confins da eternidade, mas um dia, eu te direi “Meu amor, eu sempre te amei.”