Situação atual do fenômeno ENOS (El Niño - Oscilação Sul) e perspectivas
A temperatura da água da superfície do Oceano Pacífico Equatorial diminuiu de intensidade, mas ainda continua no limiar que caracteriza a La Niña.
A anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 baixou para -0,7 °C em janeiro e, para apenas -0,2 °C, na região Niño1+2 (Figura 3). A temperatura da água na região Niño1+2 possui grande correlação com a quantidade de chuvas no RS.
Quando as anomalias de temperatura são negativas, a tendência é de que haja diminuição nas chuvas por aqui, tendo relação com as estiagens entre a primavera e o verão.
Pode ser que agora, com as temperaturas das águas na região Niño1+2 mais próximas da normalidade, as precipitações venham a ocorrer com maior frequência no RS, comparada a dos últimos meses.
Outro fator importante é que as águas do Oceano Atlântico também aqueceram no último mês. Esta mudança poderá favorecer as chuvas no RS nos próximos meses, principalmente nas regiões mais ao Leste. No entanto, a regularidade das precipitações, para o RS como um todo, ainda poderá demorar alguns meses para acontecer.
De modo geral, em janeiro de 2023 o sistema acoplado oceano-atmosfera ainda era consistente com as condições referentes à La Niña.
O relatório publicado pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), em 09 de fevereiro de 2023, prevê, com 85% de probabilidade, da fase Neutra iniciar-se no trimestre Fev-Mar-Abr/2023 e, de 94% da Neutralidade se manter no trimestre Mar-Abr-Mai.
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Figura 3 |
Figura 3. Anomalia da temperatura (°C) da Superfície do Mar no mês de janeiro de 2023. O retângulo central na imagem mostra a região do Niño 3.4, a qual os centros internacionais utilizam para calcular o Índice Niño (índice que define a ocorrência de eventos de El Niño e La Niña). Já o retângulo menor mostra a região Niño 1+2, que modula a qualidade, ou seja, a regularidade de ocorrência de chuvas no RS. Fonte: Adaptado de CPTEC/INPE.
Nas águas subsuperficiais do Oceano Pacífico também se observa enfraquecimento do bolsão de águas com anomalias negativas de temperatura, principalmente nos meses de janeiro e fevereiro de 2023. Isto corrobora com a previsão do término da La Niña para os próximos meses (Figura 4).
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Figura 4 |
Figura 4. Anomalia da temperatura (°C) subsuperficial das águas na região Equatorial do Oceano Pacífico em relação à profundidade (de 0 a 300 m), entre os meses de novembro/2022 a fevereiro/2023. Pêntadas significam média de cinco dias consecutivos. Fonte: Adaptado de CPC/NCEP/NOAA.
Previsão de precipitação no trimestre março, abril e maio de 2023 no RS
Para este trimestre, o IRI (International Research Institute for Climate Society) prevê que as precipitações irão ficar abaixo da NC na maior parte do RS. Já as previsões do modelo CFSv2 (Climate Forecast System, da NOAA) indicam precipitações abaixo da NC nos meses de março e abril, e próximas da NC, em maio. Por sua vez, o modelo do INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê para o mês de março precipitações próximas da NC no RS. Para abril, a previsão é de que as precipitações fiquem abaixo da NC, na maior parte do RS e, para maio, há maior oscilação mas, no geral, o INMET prevê precipitações próximas à NC (Figura 5).
Outros modelos apontam para março e abril de 2023 precipitações dentro ou abaixo da NC no RS e, para maio, há maior incerteza, com alguns modelos mostrando que as chuvas possam ficar acima da NC.
Figura 5. Precipitação pluvial total (mm) e anomalia de precipitação (mm) previstas para março, abril e maio de 2023 no RS. Fonte: adaptado de INMET.
Voltou a chover, nos últimos dias, em algumas regiões do RS. Porém, até a data de elaboração deste boletim, o acumulado do mês ainda não chegou ao valor mensal esperado. Muitos reservatórios estão quase secos e ainda há lavouras que necessitam de irrigação, por isso, o estado é de muita atenção e preocupação. Os prognósticos mostram que há previsão de chuvas para o RS, mas que ainda não deverá haver regularização.
Para melhores tomadas de decisão de manejo das lavouras de arroz irrigado e das culturas de sequeiro em rotação, principalmente a soja, é importante que se faça o acompanhamento da previsão do tempo de sete a 15 dias, visando maior eficiência na execução das atividades programadas.
Fontes: Instituto Rio-grandense do Arroz-IRGA/Matéria publicada dia 23/02/2023
Fonte: adaptado de INMET.