segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A MATANÇA DOS INOCENTES

Publicado por Portal ASSTBM em 17 de janeiro de 2011 ·

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Na época em que o Brasil era colônia portuguesa, todos sabem, instituiu-se em dado momento o modo de produção escravista. A Base da economia da colônia dava-se pela produção agrícola, fosse de café, fosse de cana-de-açúcar ou mesmo de outras atividades menos significativas. Mas, na verdade, o que aqui nos importa é falarmos do modo de produção e da forma pela qual eram tratados os trabalhadores.

Os trabalhadores eram escravos, adquiridos no mercado internacional como se fossem mercadoria (e não eram mais que isso) e eram negociados, trocados, manipulados, desrespeitados, assediados, molestados, violentados, açoitados e obrigados a fazerem as coisas de modo a agradar a seus senhores. Caso contrário, pagavam duras penas pela desobediência.

Assim, como se estivéssemos retroagido a esse período, estamos todos nós policias militares da base da pirâmide hierárquica que dispõem a corporação. O absurdo é tanto, que estamos sendo obrigados a irmos de encontro à morte certa , sem podermos retrucar. Há dias que se bate na tecla, de que não se pode e não se deve obrigar dois policiais a irem para as ruas em uma guarnição de policia, para o enfrentamento do crime, cada dia mais organizado e ousado. Cada dia mais equipado e violento, como se fossemos super heróis de revistas em quadrinhos ou de desenhos animados. Se alguém se recusar a ir, lá está o regulamento para lhe punir por desobediência e insubordinação. Lá está a carranca de um comandante de batalhão ou companhia, que não vai ás ruas por que é iluminado, mas tem o “poder” de mandar o “pracinha” para o abatedouro, sem que a esse seja dado o direito ao menos de contra-argumentar. Se algum insurgente se opor, vem logo o velho “jargão”: está ponderando soldado? Muitos se quer sabem o que significa ponderar, verbo transitivo direto ou indireto cuja significado é “dizer algo em defesa de uma opinião, ou ainda, examinar minuciosamente e com atenção determinada situação”, coisa racional, que no âmbito das ditaduras “quartelescas”, em pleno século da pós-modernidade, ainda não é permitido ao policial de baixa patente.

Pergunto-lhes: por que para os senhores é tão difícil enxergar a razão? Quantos policiais precisarão morrer para que se tome uma atitude? Que brincadeira é essa, cujo brinquedo utilizado é a nossa vida?

O crime avança se modernizando e se equipando, tomando outros terrenos, corroendo como um câncer a sociedade e agora no nosso estado, já come até os olhos da própria policia. Bandidos, cada dia mais ousados, riem da nossa desgraça e comemoram nos calabouços de seus “cafofos” a ceifa de mais uma vida policial. E vocês nos vêm com discursos “soluçosos”, homenagens póstumas e promoções “pós mortem” achando que assim reparam a chaga que abrem pela inércia e pela insensatez, no coração das famílias e no âmbito da tropa?

Ora, sejamos convenientes. A escravidão colonialista já se foi. Até quando seremos obrigados a nos alistarmos ao holocausto sem o direito a ponderar decisões e determinações que beiram o absurdo, simplesmente por que somos “praças”? Será que como os senhores de engenho ou os barões do café, os senhores também estão pensando que praça não pensa ou não tem alma de gente? De quem é a culpa eu não sei bem. Mas sei bem quem tem o poder de resolver e não resolve!

Digam-me senhores, quantas vidas ainda faltam ser ceifadas para que se perceba o óbvio que já é latente?

Fatalidade uma “ova”. Fatalidade é aquilo que tem que ser, inevitável,imprevisível e o que vem ocorrendo conosco é algo que se prever, que se vem discutindo há meses, é assim o que se pode evitar, com apenas uma dose de sensibilidade permeada pela razão!

Cb. PM Marcos Teixeira
ACS PM RN