Na imagem acima (publicada no site Lê e Ouve de 3 de setembro passado) um boneco vestido com farda da Brigada Militar roga, simbolicamente, (em nome de todos os indignados e injustiçados brigadianos gaúchos) à padroeira de Farroupilha - RS (que, após ter sido invocada pelos servidores da justiça no outono passado, está se tornando também a padroeira dos funcionários públicos do Estado do Rio Grande do Sul), para que ilumine a cabeça do governador do Partido dos (sabe-se lá quais) Trabalhadores, e lhes conceda, além de um piso salarial decente, um calendário de reposição das perdas históricas, e da inflação futura que, capaz de preservar o poder de compra dos salários frente ao assalto da alta dos preços.
Na faixa, colocada junto à grade de proteção da santa, lê-se: "Bem-vindo a Farroupilha, terra do Santuário de Nossa Senhora de Caravaggio. Sua segurança está garantida por policiais militares que ganham o pior salário do Brasil."
Atualmente um tenente da Brigada Militar (para o que se exige a escolaridade mínima de Ensino Médio Completo) recebe um salário básico absurdo de R$ 866,66, valor este que, conforme declarações da Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes, em matéria de hoje do Correio do Povo, de Porto Alegre, deveria estar sendo pago aos soldados.
Tarso Genro, entretanto, teve a cara de pau, ontem, em reunião com representantes da categoria, de acenar com um "abono" (parcela provisória e não incorporável aos salários e aposentadorias) de R$ 300,00 (ironicamente, o preço médio de um pneu) em resposta ao movimento dos brigadianos que está, desde agosto, "pegando fogo" pelas estradas do Rio Grande afora, com a queima de pneus, em protesto, nas principais rodovias do Estado.
Enquanto isto, os trabalhadores do Judiciário gaúcho "rezam" para qualquer santo que lhes permita receber os atrasados da primeira parcela da esmola de 12% (5% retroativos a julho e agosto) no próximo final de mês, depois que, após meses de renhida luta, foram mais uma vez, de forma torpe e descarada, traídos pela direção do seu sindicato, o Sindjus, que, ao contrário da dignidade do boneco devoto e reivindicante, foi se ajoelhar, não perante a padroeira dos servidores encalacrados do Rio Grande do Sul, mas perante o Governador do Estado, saindo do templo da opressão e do descaso (o Palácio Piratini) com a grande "vitória" da confirmação do índice enviado pela administração do Tribunal, mediante inversão das parcelas originais, de que resultará um prejuízo de R$ 400,00 no salário básico de cada Oficial Escrevente entre outubro e janeiro.
movimento indignação