Título :Soou a Hora
Autor:Vinícius
Fonte:Livro: Em Torno do Mestre
O mundo atual pede fatos concretos que possam ser observados na esfera social, no cenário terreno. A religião que não melhora o homem, não salva o espírito. O credo que não tem poder para reformar os costumes, que é incapaz de conter a onda do vicio e do crime que ora invade a sociedade, não merece mais crédito, nem pode ser levado a sério. Não garante o futuro quem não tem ação sobre o presente. Quem não faz o menos, não fará, com mais razão, o mais.
Não importa que certas instituições hajam conseguido prestigio no passado e disso se gloriem na atualidade. O momento atual reclama uma nova fé, uma força nova, viva, forte, capaz de conjurar os males e os flagelos que arrastam a Humanidade para o abismo.
“Águas passadas não movem moinho”. Não será com as tradições que venceremos os inimigos do homem desta época: vicio, crime, cobiça, ambição, fraude, hipocrisia, ociosidade. Religião que se torna estática e estéril é religião morta que pede o Requiescat in pace. Necessitamos de fé, dessa fé que é dinamismo, que é energia incoercível e cuja eficácia se revela em fatos palpáveis, concretos.
A época não é de discussões, nem de controvérsias, é de fatos. Quem é bom, trate de ser melhor; e quem é mau há-de revelar em mais alto grau as suas maldades. Todos os homens são convidados agora a se manifestarem tais quais são em realidade. “Nada há encoberto que não seja descoberto”. “É preciso que haja escândalos, mas ai daqueles por quem o escândalo vem”. As máscaras vão cair. Não se tolerará a hipocrisia. O que houver oculto, no coração do homem, virá a luz meridiana. Daí porque as organizações, baseadas nas exterioridades e nas encenações, ruirão por terra. Elas geraram corrupção, fanatismo e hipocrisias. Os chamados intelectuais chegaram, por isso, a negar a eficiência e o valor da fé. Encaram a religião e as demais instituições sociais como coisas que se prestam unicamente para embair a credulidade dos simples e serem exploradas pelos sábios e entendidos.
“A hora vem e agora é”, em que o Filho do homem reivindicará os legítimos direitos que lhe são devidos, pois esses direitos foram conquistador com a efusão do, seu sangue.