sexta-feira, 19 de julho de 2013

A brincadeira de Mocinho X Bandido-Por Ruy Gessinger

Quando eu era piá a gente brincava, influenciado pelo besteirol dos filmes yankees, de mocinho x bandido.

Todo guri tinha um canivete para descascar laranjas, limpar as unhas etc E também um revólver de espoleta.Eu com 12 anos atirava com arma de verdade de dois canos  nos marrecões.

Com toda essa nossa "selvageria" dormíamos de janelas abertas, as cortinas balouçando suavemente nas janelas, íamos a pé para casa de madrugada, ninguém matava ninguém, a não ser  de vez em quando, por justa causa na maioria das vezes. 

Era bom, era melhor que hoje.
Tínhamos medo da Polícia - medo e respeito.

Eu fui juiz em cidades que diziam " boca braba". Lá chegando não era nada disso. Claro que uma invasão de propriedade redundava em tiroteio - coisa normal.

Santiago do Boqueirão, onde fui juiz no meio dos anos 70, não tinha fofoca. Já nas cidades alemãs e italianas era muito nhenhenhê.  Briguinhas, bateboca. Em Santiago ,naquela época, o bateboca era muito curto e grosso. Terminava em estanho. Todo mundo pagava as contas, havia pouco processo. De vez em quando um júri. Normal.

Hoje não sei bem como ficou, mas parece que , graças a Allah, não tem tanto tiroteio, que bom.

Mas o que eu queria dizer é que no Brasil ninguém mais quer ser " mocinho", defensor da ordem   e da lei.
A maioria é leniente e compassiva, para ser " politicamente correto" com os arruaceiros e bagunceiros.  

Pior, gente de boa índole, querendo ser " moderninha", fecha ruas e estradas, como, recentemente, ocorreu na minha adorada terra  natal, Santa Cruz.

No Rio de Janeiro, que já convivia com tudo que se possa imaginar, agora a Polícia contempla os bandidos " classe média" quebrando tudo.

E  ninguém, mas ninguém mesmo, quer parar de "mocinho". Não temos mais o Xerife. Logo o ligamos, equivocadamentre, a l964.

E aí veio aquela absurda audiência conciliatória.