segunda-feira, 28 de outubro de 2013

A VERDADE DE CADA UM



Todas as manifestações de violência, desde a ofensa verbal às loucuras da guerra, têm urna justificativa comum: a defesa de um direito, com base na visão que um indivíduo ou um governo têm da Verdade - a sua verdade.

Lutando por ela, nações agridem-se; revolucionários promovem o terror; aviões despejam toneladas de explosivos sobre populações indefesas ...

Em favor dela, as pessoas erguem a voz e desrespeitam-se umas às outras com impropérios e palavrões ...

Trabalhando por ela, marido e mulher discutem acaloradamente, esquecendo comezinhas regras de civilidade; o pai impõe restrições absurdas ao filho, violentando seu livre-arbítrio, e este, por sua vez, entrega-se à rebeldia e à indisciplina, comprometendo-se em atos inconseqüentes ...

Todavia, a violência é sempre o pior caminho, porquanto, em qualquer desentendimento, sempre que nos deixamos dominar pela ira, já teremos deixado de lutar pela Verdade e começado a lutar por mesquinhos interesses pessoais.

E sempre que "arreganhamos os dentes", caindo na agressividade, que é o argumento dos brutos, sofremos um curto-circuito mental que acaba por levar-nos a desatinos, dos quais fatalmente nos arrependeremos. E como encontrar justificativa se, pretendendo defender o que julgamos certo, nos comprometemos em tão errôneo comportamento?

Se estamos realmente empenhados em promover a Verdade, edificando aqueles que nos rodeiam, será contra-producente agredi-los com gestos ou palavras. Jamais conseguiremos convencer alguém se não entrarmos primeiro em seu coração. E a porta do coração não pode ser arrombada. Ela somente se abre ante os apelos do Amor.

Um pai poderá impor determinado comportamento ao seu filho, usando de violência. Mas se o filho observa as disciplinas paternas apenas porque tem medo, quando vencer o temor deixará de observá-las.

Entretanto, se o pai usar a chave certa para entrar no coração do filho, a manifestar-se nos valores da compreensão e do companheirismo, respeitando sua integridade de criatura humana com direito às suas próprias opções, então, fatalmente, o filho acabará por ajustar-se à orientação paterna, não por medo, mas simplesmente porque é impossível resistir aos apelos do Amor.

Por isso, Jesus, o Mensageiro Divino, que poderia apresentar-se revestido da autoridade dos governantes ou "do poder dos reis, preferiu a condição de humilde homem do povo, a fim de falar mais intimamente ao coração do Homem. E falou eloqüentemente, transformando criaturas pecadoras e frágeis em santos e heróis.

Em Maria de Magdala, a mundana execrada pelo povo, enxergou apenas a jovem sensível, iludida em seus anseios de mulher. E recebendo-a com carinho, sem acusações ou críticas, ajudou-a a transformar-se na seguidora ardorosa e fiel, que seria a mensageira da Ressurreição ...

Em Simão Pedro, que O negara três vezes, não obstante os benefícios e as lições recebidas durante três anos de convivência, viu apenas o discípulo traído pelo medo e, sustentando-o em suas vacilações, ajudou-o a transformar-se no baluarte do Cristianismo nascente ...

Em Paulo de Tarso, perseguidor cruel que chefiava vasto movimento de combate aos cristãos, observou apenas o defensor intransigente de Moisés, dominado por perigosa fixação, e procurando-o na estrada de Damasco, ajudou-o a transformar-se no grande Paulo, o "Apóstolo dos Gentios" e o maior divulgador de sua Doutrina.

Ninguém, como Jesus, soube demonstrar a excelência do Amor na conversão dos homens ao Bem. Amor que perdoa e socorre, releva e atende, esquece e ampara, fazendo sempre o melhor.

Quando houvermos avaliado inteiramente a força de que dispõe aquele que consegue realizar a plenitude do Amor, então deixaremos a violência de lado, como o aleijado que abandona a precária sustentação das muletas ao descobrir que pode andar.

Richard Simonetti