terça-feira, 1 de outubro de 2013

Finanças


Justo prevenir-nos contra os arrastamentos a que o ouro em excesso é capaz de induzir-nos; no entanto, urge considerar que não nos é lícito atribuir ao dinheiro as calamidades de ordem moral tão somente debitáveis aos desequilíbrios com que, tantas vezes, o manejamos na Terra.

Pensa na fortuna, maior ou menor, que te veio às mãos, ainda hoje.

Provavelmente, haverá saído das sombras de um cofre longamente trancado em frieza e sovinice. Entretanto podes orientá-la para a luz da beneficência, a fim de que assegure a supressão da necessidade de um companheiro em penúria.

É possível tenha chegado de alguma estância empenhada na perturbação e na delinqüência. Mas dispõe do privilégio de guiá-la no socorro ao enfermo desamparado.

Talvez proceda de lugar menos feliz, onde a ignorância haja perpetrado furtos e agressões. Todavia, guardas a faculdade de fazê-la servir a benefício de quantos precisem de esclarecimento ou de escola.

Em muitos casos, veio de regiões em que desperdício e vaidade predominem.

Conseguirás, porém, sem dificuldade, engajá-la em tarefas respeitáveis ou poupança construtiva.

Finança disponível em teu campo de ação pode erigir-se em calor humano, apoio fraterno, demonstração de simpatia, sustentáculo de serviço, esteio da educação ou socorro libertador dos quais nenhum de nós prescinde.

Em suma, dinheiro que te acompanhe com presença pacífica, sob o endosso da consciência tranqüila, é sempre um servo fiel e mudo.

Abre-lhe os caminhos da compreensão e da bondade ele poderá, contigo e por ti, elevar e redimir, servir e abençoar.

Cícero em “De Amititia, cap. XV, sec. 54”: Non enim solum ipsa fortuna caeca est, sed eos etiam plerumque efficit caecos, quos complexa est. A fortuna não é tão somente cega, mas, também, comumente, torna também cegos aqueles sobre os quais bafeja.




pelo Espírito Emmanuel / Médium: Francisco Cândido Xavier
do livro: Escrínio de Luz