domingo, 12 de julho de 2015

O cansaço e a jornada





O cansaço e a jornada




Momentos existem em que o cansaço é grande demais.

Em que os ombros se vergam, não ao peso dos anos, mas sob as cargas da vida. Em que as luzes se apagam, o colorido se vai e tudo que resta é o limbo cinzento do caminho.

Momentos em que a solidão parece preencher o mundo; em que as estrelas somem no céu, o sol se esconde no horizonte e o frio do desânimo enregela o viajante aflito.

É quando se questiona o passado, se despreza o presente e não mais se acredita no futuro. É quando tudo parece inútil, os obstáculos intransponíveis, as forças insuficientes.

É quando se anseia por um milagre; como o homem perdido no deserto rasteja à procura da água salvadora do oásis e o ateu, às portas da morte, busca acreditar em Deus. 

É então, que vem o desejo de interromper a jornada; de abandonar a caravana, de antecipar o descanso. A tentação de desistir da luta, de apenas deitar à margem da estrada.

A vontade quase irresistível de repousar o corpo cansado; de pousar a cabeça sobre o solo, sentindo o cheiro da grama e ouvindo o vento assobiar a canção do esquecimento.

O desejo de não-ser. De enterrar os sonhos já mortos e renunciar àqueles que ainda teimam em viver; de fundir-se às brumas do passado, até tornar-se apenas uma lembrança.

A tentação de mergulhar no nada. De afundar nas águas do tempo, de deixar para trás esperanças e decepções; de desligar-se do mundo e viajar no vazio entre as estrelas.

A tentação é grande. Porém, é preciso lembrar que esta não é a jornada; apenas uma etapa. O caminho continua além do horizonte e a paz não é uma dádiva, mas uma conquista.

Ao Universo, cabe determinar a duração de cada etapa; e a Eternidade é o limite da jornada. Não é sensato, portanto, aquele que tenta fugir ao aprendizado de que necessita.   

É preciso sacudir a poeira, levantar a cabeça e seguir viagem. Ainda que possam sangrar os pés e chorar o coração; ainda que aos tropeços e caindo a cada passo.

É preciso ser forte, ainda que a alma grite a sua fraqueza; suportar a solidão, embora ansiando por um gesto de carinho. E cantar, mesmo que o mundo não entenda a canção.

Porque é necessário superar o aprendizado, para adquirir o Conhecimento; vencer o desejo de vingança, para chegar ao perdão; e concluir a viagem, para desfrutar da chegada.

É preciso merecer as asas, para poder voar. 





Extraido do blog O Árabe


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