sábado, 20 de junho de 2026

Sobre os El Niños

De acordo com a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), órgão responsável pelo monitoramento e pesquisa da atmosfera, dos oceanos, do clima e do tempo, entre 1950 e 2026 ocorreram 39 episódios de El Niño.

Ao longo desses 76 anos, seis eventos foram classificados como El Niño forte:

  • 1957/1958;
  • 1972/1973;
  • 1982/1983;
  • 1991/1992;
  • 1997/1998;
  • 2015/2016.

Períodos mais longos do fenômeno

  • 1957/1958: início em março de 1957 e término em julho de 1958, com duração de 17 meses.
  • 1982/1983: início em abril de 1982 e término em junho de 1983, com duração de 15 meses.
  • 1991/1992: início em maio de 1991 e término em julho de 1992, com duração de 15 meses.
  • 1986/1988: início em agosto de 1986 e término em janeiro de 1988, com duração de 18 meses.

Maiores períodos com anomalias entre 2,0°C e 2,5°C acima da média

  • 1997/1998: de agosto de 1997 até janeiro de 1998, totalizando seis meses consecutivos entre 2,0°C e 2,5°C acima da média.
  • 1982/1983: de outubro de 1982 até fevereiro de 1983, com cinco meses consecutivos.
  • 1991/1992: de dezembro de 1991 até março de 1992, com quatro meses consecutivos.
  • 2015/2016: de outubro de 2015 até janeiro de 2016, também com quatro meses consecutivos.

O último El Niño forte: 2015/2016 e seus efeitos em Santiago (RS)

O El Niño de 2015 teve início em março daquele ano e persistiu até abril de 2016. O fenômeno se intensificou principalmente entre outubro de 2015 e janeiro de 2016, quando as anomalias da temperatura da superfície do Oceano Pacífico alcançaram:

  • Outubro de 2015: +2,2°C;
  • Novembro de 2015: +2,3°C;
  • Dezembro de 2015: +2,4°C;
  • Janeiro de 2016: +2,2°C;
  • Fevereiro de 2016: +1,8°C.

Posteriormente, as anomalias diminuíram gradualmente, encerrando o evento em abril de 2016, com transição para neutralidade e posterior desenvolvimento da La Niña a partir de junho daquele ano.

Chuva em Santiago (RS)

Entre outubro e dezembro de 2015 foram registrados 1.094 mm de chuva em Santiago.

Os acumulados mensais foram:

  • Outubro de 2015: 422,6 mm (o outubro mais chuvoso já registrado no município);
  • Novembro de 2015: 270,8 mm;
  • Dezembro de 2015: 400,6 mm (o dezembro mais chuvoso já registrado).

Eventos severos em Santiago

No dia 7 de outubro de 2015, uma quarta-feira, às 20h55, ocorreu uma forte tempestade de granizo em Santiago. Cerca de 40 mil metros de lona foram distribuídos pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros, e 383 residências foram atingidas. As rajadas de vento chegaram a 69 km/h.

Quatorze dias depois, em 21 de outubro, outra tempestade de granizo atingiu a cidade. Mais de 100 famílias buscaram lonas junto ao Corpo de Bombeiros.

Esses episódios estão entre os mais severos temporais de granizo já registrados em Santiago.

Em janeiro de 2016, Porto Alegre também sofreu fortes tempestades, com rajadas de vento superiores a 120 km/h, deixando um rastro de destruição.


El Niño e os eventos extremos

O El Niño provoca o aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, aumentando a evaporação e a disponibilidade de umidade na atmosfera. Quando combinado com o calor do verão, esse cenário pode favorecer:

  • Granizo, vendavais e tempestades
Vale observar:

O El Niño não causa diretamente granizo, ciclones ou vendavais. O que acontece é que:

  • as águas mais quentes do Pacífico alteram a circulação atmosférica;
  • aumenta a disponibilidade de umidade sobre o Sul do Brasil;
  • frentes frias e sistemas de baixa pressão tornam-se mais frequentes;
  • há mais energia na atmosfera para tempestades.

Assim, durante eventos fortes podem ocorrer:

  • granizo severo;
  • temporais mais intensos;
  • rajadas de vento fortes;
  • enchentes e inundações;
  • maior frequência de episódios de chuva extrema.

Sobre os ciclones

 O El Niño pode favorecer condições atmosféricas que aumentam a ocorrência de sistemas de baixa pressão e alguns ciclones extratropicais no Sul do Brasil, mas não significa que todo El Niño forte obrigatoriamente produza mais ciclones.

Os dados de 2015/2016 em Santiago mostram que um El Niño forte pode estar associado a chuvas excepcionais e eventos severos.  Entretanto, não existe uma relação automática entre El Niño forte e enchentes ou temporais extremos. Outros fatores atmosféricos também precisam atuar simultaneamente.

 

Precisa ser dito:

 Um El Niño forte aumenta a probabilidade de chuvas acima da média e de eventos meteorológicos severos no Sul do Brasil, mas não garante que enchentes, granizo ou ciclones ocorram em todos os casos. 

Sobre os El Niños

De acordo com a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos), órgão responsável pelo monitoramento e pesquisa da ...