quarta-feira, 29 de julho de 2026

Após analisar o levantamento...Em Santiago RS

 Após analisar o levantamento, é possível identificar alguns padrões bastante claros sobre os temporais em Santiago. O material reúne 57 ocorrências entre 2009 e 2026, incluindo episódios de vento, granizo, chuva intensa, alagamentos e microexplosões.

1. Outubro é, disparado, o mês mais crítico

Nenhum outro mês reúne tantos eventos severos quanto outubro. Entre eles destacam-se:

  • 2011 – rajadas de 112 km/h, mais de 100 casas destelhadas;
  • 2013 – temporal com interrupção de energia;
  • 2014 – rajadas de 108 km/h;
  • 2015 – dois grandes temporais de granizo em apenas 14 dias;
  • 2017 – rajadas de 104 km/h;
  • 2022, 2023, 2024 e 2025 também registraram temporais importantes.

Isso confirma que outubro é historicamente o mês de maior frequência de temporais severos em Santiago.

2. Primavera concentra a maior parte dos eventos

Somando setembro, outubro e novembro, observa-se a maior concentração de episódios de:

  • ventos fortes;
  • granizo;
  • destelhamentos;
  • queda de árvores;
  • interrupção no fornecimento de energia.

Essa distribuição é compatível com a climatologia do Rio Grande do Sul, quando aumenta o contraste entre massas de ar frio e quente.

3. Os ventos mais extremos

Os maiores valores registrados no levantamento foram:

  • 153 km/h – 28 de dezembro de 2013;
  • 128 km/h – 6 de fevereiro de 2025;
  • 112 km/h – 30 de setembro/1º de outubro de 2011;
  • 108 km/h – 19 de outubro de 2014;
  • 105 km/h – 15 de dezembro de 2019;
  • 104 km/h – 19 de outubro de 2017;
  • 99 km/h – 12 de outubro de 2025.

Isso mostra que Santiago já enfrentou diversos eventos com intensidade compatível com tempestades severas.

4. Granizo é muito recorrente

Há registros de granizo em praticamente todas as épocas do ano:

  • janeiro;
  • fevereiro;
  • maio;
  • julho;
  • agosto;
  • setembro;
  • outubro;
  • abril de 2026.

Em alguns casos houve poucos danos; em outros, como outubro de 2015 e outubro de 2023, os prejuízos foram expressivos.

5. Chuva intensa nem sempre veio acompanhada dos ventos mais fortes

O levantamento mostra vários casos em que:

  • ventos superiores a 100 km/h ocorreram com pouca chuva;
  • os maiores acumulados de chuva ocorreram sem rajadas extremas.

Exemplos:

  • 30/09/2011: durante a rajada de 112 km/h choveu apenas 7,4 mm;
  • dezembro de 2025: os alagamentos foram provocados por 56,2 mm, sem vento severo.

Isso indica que os mecanismos responsáveis pelos danos variam entre vento, chuva e granizo.

6. Danos mais frequentes

Os impactos mais repetidos são:

  • destelhamentos;
  • queda de árvores;
  • interrupção do fornecimento de energia;
  • distribuição de lonas pela Defesa Civil;
  • queda de postes;
  • bloqueio de rodovias;
  • danos à agricultura;
  • alagamentos urbanos.

7. Evolução recente

Percebe-se um aumento na quantidade de registros após 2020. Isso pode refletir:

  • maior ocorrência de eventos severos;
  • melhoria na documentação e no monitoramento meteorológico;
  • maior disponibilidade de estações automáticas e registros da Defesa Civil.

Conclusão

Seu banco de dados constitui um excelente histórico de tempo severo em Santiago. A principal conclusão é que:

  • Outubro é o mês mais perigoso, concentrando a maior quantidade de episódios severos.
  • A primavera (setembro a novembro) responde pela maior parte dos temporais destrutivos.
  • Rajadas acima de 100 km/h ocorreram diversas vezes desde 2009.
  • Granizo é um fenômeno recorrente em Santiago e pode ocorrer em praticamente qualquer época do ano.
  • Os impactos mais comuns são destelhamentos, queda de árvores, interrupção de energia e danos à infraestrutura, evidenciando a vulnerabilidade do município aos temporais convectivos. 

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