Após analisar o levantamento, é possível identificar alguns padrões bastante claros sobre os temporais em Santiago. O material reúne 57 ocorrências entre 2009 e 2026, incluindo episódios de vento, granizo, chuva intensa, alagamentos e microexplosões.
1. Outubro é, disparado, o mês mais crítico
Nenhum outro mês reúne tantos eventos severos quanto outubro. Entre eles destacam-se:
- 2011 – rajadas de 112 km/h, mais de 100 casas destelhadas;
- 2013 – temporal com interrupção de energia;
- 2014 – rajadas de 108 km/h;
- 2015 – dois grandes temporais de granizo em apenas 14 dias;
- 2017 – rajadas de 104 km/h;
- 2022, 2023, 2024 e 2025 também registraram temporais importantes.
Isso confirma que outubro é historicamente o mês de maior frequência de temporais severos em Santiago.
2. Primavera concentra a maior parte dos eventos
Somando setembro, outubro e novembro, observa-se a maior concentração de episódios de:
- ventos fortes;
- granizo;
- destelhamentos;
- queda de árvores;
- interrupção no fornecimento de energia.
Essa distribuição é compatível com a climatologia do Rio Grande do Sul, quando aumenta o contraste entre massas de ar frio e quente.
3. Os ventos mais extremos
Os maiores valores registrados no levantamento foram:
- 153 km/h – 28 de dezembro de 2013;
- 128 km/h – 6 de fevereiro de 2025;
- 112 km/h – 30 de setembro/1º de outubro de 2011;
- 108 km/h – 19 de outubro de 2014;
- 105 km/h – 15 de dezembro de 2019;
- 104 km/h – 19 de outubro de 2017;
- 99 km/h – 12 de outubro de 2025.
Isso mostra que Santiago já enfrentou diversos eventos com intensidade compatível com tempestades severas.
4. Granizo é muito recorrente
Há registros de granizo em praticamente todas as épocas do ano:
- janeiro;
- fevereiro;
- maio;
- julho;
- agosto;
- setembro;
- outubro;
- abril de 2026.
Em alguns casos houve poucos danos; em outros, como outubro de 2015 e outubro de 2023, os prejuízos foram expressivos.
5. Chuva intensa nem sempre veio acompanhada dos ventos mais fortes
O levantamento mostra vários casos em que:
- ventos superiores a 100 km/h ocorreram com pouca chuva;
- os maiores acumulados de chuva ocorreram sem rajadas extremas.
Exemplos:
- 30/09/2011: durante a rajada de 112 km/h choveu apenas 7,4 mm;
- dezembro de 2025: os alagamentos foram provocados por 56,2 mm, sem vento severo.
Isso indica que os mecanismos responsáveis pelos danos variam entre vento, chuva e granizo.
6. Danos mais frequentes
Os impactos mais repetidos são:
- destelhamentos;
- queda de árvores;
- interrupção do fornecimento de energia;
- distribuição de lonas pela Defesa Civil;
- queda de postes;
- bloqueio de rodovias;
- danos à agricultura;
- alagamentos urbanos.
7. Evolução recente
Percebe-se um aumento na quantidade de registros após 2020. Isso pode refletir:
- maior ocorrência de eventos severos;
- melhoria na documentação e no monitoramento meteorológico;
- maior disponibilidade de estações automáticas e registros da Defesa Civil.
Conclusão
Seu banco de dados constitui um excelente histórico de tempo severo em Santiago. A principal conclusão é que:
- Outubro é o mês mais perigoso, concentrando a maior quantidade de episódios severos.
- A primavera (setembro a novembro) responde pela maior parte dos temporais destrutivos.
- Rajadas acima de 100 km/h ocorreram diversas vezes desde 2009.
- Granizo é um fenômeno recorrente em Santiago e pode ocorrer em praticamente qualquer época do ano.
- Os impactos mais comuns são destelhamentos, queda de árvores, interrupção de energia e danos à infraestrutura, evidenciando a vulnerabilidade do município aos temporais convectivos.