terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O arrependimento basta?



Antônio Moris Cury

"O homem sofre sempre a conseqüência de suas faltas; não há uma só infração à lei de Deus que fique sem a correspondente punição".

"Desde que o culpado clame por misericórdia, Deus o ouve e lhe concede a esperança. Mas, não basta o simples pesar do mal causado; é necessária a reparação, pelo que o culpado se vê submetido a novas provas em que pode, sempre por sua livre vontade, praticar o bem, reparando o mal que haja feito".

"O homem é, assim, constantemente, o árbitro de sua própria sorte; pertence-lhe abreviar ou prolongar indefinidamente o seu suplício; a sua felicidade ou a sua desgraça dependem da vontade que tenha de praticar o bem".
(Trechos extraídos do livro "O Evangelho segundo o Espiritismo", capítulo XXVII, página 380, 109ª edição, FEB, 1994.)

São deveras importantes as informações que podemos retirar do texto aqui reproduzido.
Com efeito, "o homem sofre sempre a conseqüência de suas faltas", ou seja, é o único responsável pelas decisões que tome e, naturalmente, pelas conseqüências delas decorrentes. Assim, se praticou o Bem, sente-se bem e contabiliza o mérito a seu favor; se errou, se falhou, se prejudicou adredemente, propositadamente, a outrem, sente-se mal e contabiliza a falta, que lhe acarreta sofrimentos físicos ou morais, ou ambos, cuja falta, para ser posteriormente eliminada de sua contabilidade pessoal, depende, obrigatoriamente, de reparação.

De outra parte, "Não há uma só infração à lei de Deus que fique sem a correspondente punição", isto é, não é possível ao homem enganar e deixar de cumprir a legislação divina, que é perfeita e, por isso mesmo, imutável.

A melhor exegese, a melhor interpretação, indica que a palavra punição aqui deve ser entendida como reparação, vale dizer, qualquer infração à lei de Deus será reparada, pelo infrator, pessoalmente, em caráter obrigatório.

Cremos tratar-se de interpretação absolutamente compatível com a bondade e com a justiça de Deus, que não castiga, não pune e nem premia seus filhos, que somos todos nós, mas, sim, que nos oferece todas as oportunidades de que necessitemos para reparar, nesta ou em outras existências, nossos erros, males e equívocos, no rumo do progresso, da perfeição relativa e da suprema felicidade.

Outrossim, convém não perder de vista que "não basta o simples pesar do mal causado; é necessária a reparação, pelo que o culpado se vê submetido a novas provas em que pode, sempre por sua livre vontade, praticar o bem, reparando o mal que haja feito".

É a exata medida da Justiça Divina, demonstrando que não basta lamentar, manifestar pesar 
pelo mal cometido, nem mesmo se arrepender. É absolutamente indispensável reparar o mal causado. É claro que o arrependimento, o pesar e a lamentação constituem um bom começo, mas, por si, não bastam, não são suficientes para eliminar o mal acarretado, apagando-o. O mal deve ser reparado, sempre. E, para isso, quem o praticou ver-se-á submetido a novas provas em que poderá, pelo seu livre-arbítrio, praticar o Bem, reparando o mal que haja feito.

O infrator poderá compensar o mal que praticou de variadas formas. Poderá tornar-se, por exemplo, humilde, se tem sido orgulhoso; caridoso, se tem sido egoísta; útil, se tem sido inútil; amável, se tem sido áspero; trabalhador, se tem sido ocioso, preguiçoso, etc.

Pelo exposto, não é difícil concluir que o homem é, verdadeiramente, "o árbitro de sua própria sorte, pertencendo-lhe abreviar ou prolongar indefinidamente o seu suplício", assim como entender que "a sua felicidade ou a sua desgraça dependem da vontade que tenha de praticar o bem".

A reparação do mal causado é indispensável, obrigatória e personalíssima, não podendo, exatamente por isso, ser transferida a ninguém, e a melhor maneira de exercê-la é praticar o Bem, preferentemente sem olhar a quem!
A reparação do mal causado é indispensável, obrigatória e personalíssima
(Jornal Mundo Espírita de Janeiro de 1998)