domingo, 14 de abril de 2013

Oração do homem que corre


Senhor

Olho em volta de mim e veio a pressa de todos os homens...
Todos têm pressa pois precisam vencer o tempo, tão pouco tempo lhes deste...
A criança corre porque tem muito para brincar
E o tempo não lhe basta...


O adolescente corre porque tem muito que divertir
E o tempo não lhe basta...
O homem corre porque tem mil negócios a tratar
E o tempo não lhe basta...


A mulher corre porque precisa ganhar o tempo que perdeu
E o tempo não lhe basta...
Correm os carros pelas ruas, não importa se ferem ou matam.
Correm as motos, os ônibus, os caminhões.
Tudo corre, todos correm, e o tempo voa.


A conversa tranqüila e descompromissada não pode ser:
A falta de tempo não a permite.
O marido não conversa com a esposa: ele tem pressa e ela muito mais.
(Afinal deve recuperar o tempo que perdeu como simples dona-de-casa...)


O filho não conversa com o pai pois os amigos o esperam no bar.
E, afinal, o pai já está muito "coroa" para um papo legal...
Já não se passeia nas praças,


Não se anda pelas avenidas a olhar as vitrines,
Não se senta nos bancos para ouvir a banda
que tocava alegremente nos coretos enfeitados.


O mundo mudou.
O progresso veio correndo e com ele trouxe a correria.
Todos correm, não em busca de "ser mais" mas para "ter mais".


Ter mais dinheiro. Ter mais prestígio. Ter mais simpatia popular.
Ter olhares admirados. Ter a aprovação das multidões. Ter... Ter...Ter...


Olho em redor, Senhor,
E busco as mãos dada suavemente, os olhares serenos, os sorrisos calmos.

Ao invés do carinho inocente, vejo os beijos tórridos, carnais, sexuais.


Ao invés do namoro, vejo o "sarro".

Ao invés do amor, vejo o desejo.

Ao invés da paz, vejo a ansiedade.


Olho os céus e vejo a lua, as estrelas.


Todo o cosmos continua a girar na mesma velocidade de milhares de anos.


Só o homem, em sua tola vaidade, não descobre que o tempo continua o mesmo.


E que da vida que tanto quer tirar, em louca correria,


Somente tira o amargo sabor de vida que não viveu,


Do amor que não amou,


Da oração que não fez,


Porque corria, corria muito, até que para ele, num dia inesperado,


O tempo parou.


Assim seja!


(Desconheço o autor)

http://www.forumespirita.net/