segunda-feira, 31 de março de 2014

Fundo do Poço


Uma mulher estava passeando com seu filho pequeno. O menino corria e brincava pelos campos verdes das pradarias. A mãe olha um pássaro voando, e subitamente ouve um grito de desespero do seu filho, que caiu num poço fundo e escuro. A mãe corre até o poço e vê o menino lá embaixo, preso e um pouco machucado.

Ela se desespera, fica nervosa e grita “Calma filho, vou aí te buscar!”. Ela se atira no poço, cai lá embaixo, se machuca toda, e fere ainda mais seu filho. Ela tenta subir, mas com o peso do filho, não consegue subir pela corda. Ambos, mãe e filho, ficaram lá por dias e dias. Gritavam, mas ninguém podia ouvi-los, e acabaram definhando e morrendo de inanição.

Dois anos depois desse incidente, outra mulher também estava brincando com seu filho no mesmo local. Pela ironia do destino, o filho dela também caiu lá embaixo e gritou pela sua mãe. A mulher viu seu filho lá, no fundo do poço, todo ferido, mas procurou ficar calma e refletir na melhor solução. Ao contrário da outra mãe, ela não se jogou ou desceu ao fundo do poço para salvar o filho. Ela pensou, pegou a corda ao lado do poço, jogou ao menino, e disse alto: “Filho, amarre essa corda em volta de sua barriga, que eu vou te puxar daí”.

O filho atou a corda em si mesmo, e bem devagar a mãe foi lentamente puxando o filho. Demorou um pouco, mas ele conseguiu subir com alguns ferimentos, mas são e salvo.

Quando uma pessoa que muito amamos se encontra no fundo do poço, ou seja, numa situação complicada, degradante, de sofrimento, vivendo uma grande tribulação, dor e muito ferida, não devemos nos desesperar e descer ao fundo do poço junto com ela. Unir-se a ela na dor, no sofrimento, e passar a sentir o que ela sente, nos envolvendo com a mesma dificuldade, só fará com que afundemos no poço escuro em sua companhia, mas efetivamente não nos permitirá ajuda-la.



A primeira mãe desceu ao fundo do poço com o filho, e por isso não conseguiu mais sair de lá. Já a segunda mãe, manteve distância do fundo do poço, não desceu de sua posição para juntar-se ao filho, sofrendo com ele, mas do ponto mais alto onde estava, ela pôde lançar uma corda, e ajuda-lo a subir do “poço do sofrimento” onde ele estava preso.

Isso vale não apenas para pais e filhos, mas para qualquer relação humana. Quando nos envolvemos nos problemas do outro, e nos deixamos contaminar, sofrendo com a pessoa e por causa da pessoa, ficaremos mal. Antes era apenas uma pessoa no fundo do poço, mas depois viraram duas. A melhor atitude é permanecer onde estamos, em nosso lugar, e sem descer ao fundo do poço com a pessoa, e ajuda-la a sair de lá. Quem se mantém onde está e não vai ao fundo do poço com a pessoa, tem melhores condições de prestar ajuda, se de fato a pessoa quiser ser ajudada.

Seja empático com o outro, compreenda a visão dele dentro do contexto em que vive, mas não sofra junto com ele.


Autor:  Hugo Lapa