terça-feira, 23 de julho de 2013

A Lenda de Adão e Eva


   E formou o Senhor Deus o homem do pó
da terra, e soprou em suas narinas o fôlego
da vida; e o homem foi feito alma vivente.
Gênesis, 2:7.

A lenda da origem da vida, que inclui as figuras simbólicas de Adão e Eva, envolve também a polêmica questão dogmática do pecado original.

  Segundo aqueles que interpretam, de forma literal, o texto Bíblico: O pecado original, cometido e introduzido na terra por Adão, induzido pela serpente no Jardim do Éden. O estímulo da serpente fez com que Eva sugerisse a Adão que também provasse do fruto proibido, o qual foi colhido da árvore do conhecimento.

Outra forma de interpretar a Gênese bíblica envolve a análise do significado dos símbolos utilizados no texto. Naquele período, os escritos oficiais eram os de cunho religioso e esta literatura não tinha um caráter jornalístico ou histórico. A literatura em questão era, também, recheada de conhecimentos populares aceitos, então, como verdades indiscutíveis. Por isso, existem semelhanças com textos de outras religiões mais antigas.

  O contato do povo Hebreu com outros povos, na condição de escravos ou de viajantes nômades, permitiu a absorção desses mitos de forma lenta e gradual (fato este negligenciado pelos mais avessos à História antiga por questões dogmáticas).

Sabemos que os textos sagrados foram extremamente importantes na evolução espiritual e social de um povo semi-selvagem que começava a abandonar a idolatria e o politeísmo. Esses textos elaborados sob inspiração Superior tornam-se atuais e corretos se interpretados, hoje, como um símbolo, uma metáfora.

  Essa forma de interpretação, de cunho mais filosófico, é a que permite que sejam extraídas, de documentos tão antigos, verdades ainda atuais. E mais do que isso, verdades compatíveis com a ciência. Considerando que ciência nada mais é do que o estudo sistemático das Leis da natureza e que essas Leis são Divinas em sua origem (já que é Divina a origem do Universo).

Podemos concluir que, a ciência humana estuda a porção material da Criação Divina. É por isso que ela não é oposta a Deus, mas fruto Dele.

—  A Gênesi Bíblica.

Trata-se de uma belíssima referência á responsabilidade individual, sendo esta proporcional ao nível de conhecimento moral e ético de um povo, em função de sua história e realidade social.

 
  Mas da árvore do conhecimento
do bem e do mal, dela não comerás;
por que no dia em que dela comeres,
certamente morrerás.
Gênesis, 2:17.

A árvore do conhecimento representa a capacidade de um ser humano de reconhecer o que é bom e o que é mal. A partir do momento em que o ser humano adquiriu essa capacidade, quando ele comeu o fruto da árvore do conhecimento, ele se tornou integralmente responsável pelos seus atos perante seu próximo e perante Deus.

  O selvagem que utilizava o raciocínio para melhorar suas condições de sobrevivência passa, neste momento Histórico, a ser Homem espiritual já que agora distingue o certo do errado.

Neste momento, o ser em desenvolvimento de suas capacidades físicas e espirituais, torna-se responsável pelas consequências dos seus atos. O bem que promove, gera proximidade Divina. O mal que faz a si mesmo ou ao seu irmão, é débito moral a ser resgatado pela dor ou pela reparação integral do dano.

  Entendemos, então, que Adão simboliza o momento em que os homens primitivos iniciam o conhecimento da diferença entre o certo e o errado, passando a ter condições de optar pelo caminho que prefere seguir. É aí que o homem se torna Homem e deixa de ser selvagem.

O caminho do bem leva diretamente a Deus. O caminho do mal leva à satisfação dos prazeres imediatos e individuais. Este caminho, apesar de aparentemente saboroso, é longo e inóspito.

  A serpente simboliza nossas fraquezas morais e o apego material. Ela encontra-se dentro de cada ser humano e é extremamente sedutora, faz com que inúmeras justificativas sejam criadas para que se cumpra o desejo de satisfação das mais vis paixões.  Essa serpente de paixões nos consome intimamente, convidando insistentemente ao erro.

Todos temos que vencer essas tendências para que evoluamos em direção à inexorável e inevitável comunhão Divina que se dará em nosso futuro. Cedo ou tarde, conforme nosso empenho e determinação no curso do Caminho da Luz.

 
  Mas da árvore do conhecimento do bem
e do mal, dela não comerás; por que no dia
em que dela comeres, certamente morrerás.
Gênesis, 2:17.

Certamente muitas mortes físicas existem neste percurso, assim como muitas vidas físicas. Mas a vida eterna é uma só, a vida espiritual, para a qual a morte não existe.

A tese do pecado original é contraditória em sua essência já que um Ser Perfeito, Deus, não cobraria de toda a descendência o preço do pecado de um único pecador. Nem a justiça dos homens, plena de falhas e deficiências, permite que se cobre do filho a responsabilidade sobre atos ilícitos praticados pelo seu próprio pai.

Tal atitude atribuída a Deus é, na realidade, compatível com a limitação daqueles que foram responsáveis pela seleção e revisão dos Textos Sagrados. Indivíduos revestidos de poder político e religioso, mas ainda carentes, naquela época, de capacidade moral e intelectual para compreender a infinita bondade Divina.

A herança de Adão não é o pecado em si, mas sim a capacidade de lidar com novos conhecimentos, entendê-los e conscientemente optar pelo caminho longo ou curto. Isso se chama Livre Arbítrio.

Entendendo assim, somos levados a louvar a extensão e profundidade da Justiça Divina que nos permite entender nosso ambiente físico e social. Só seremos responsabilizados por nossas opções a partir do momento em que delas tornamo-nos plenamente conscientes.

—  Redimindo Eva.

  Não podemos admitir como justa a imagem da mulher como o caminho de condução ao vício e ao erro. Seria uma visão limitada e limitante, aquém da capacidade e da real influência feminina na história da humanidade. Fato só aceitável para uma sociedade atrasada e altamente machista.

No contexto da Gênese bíblica a mulher representa o ambiente social, suas pressões e a repercussão desta na opção pelo bem ou mal. A família, a luta pela sobrevivência, o ambiente adverso e corrompido. E, paradoxalmente a Eva bíblica representa, também, o amor puro e fraternal.

  São as forças que nos dirigem ora para "a porta larga" e ora para "a porta estreita". Forças essas que se aplicam conforme nossa predisposição mental. As boas influências serão cultivadas pela nossa própria atitude diante dos fatos diários. Assim estaremos sintonizados com o bem e motivados para o bem em função de nossa opção fundamentalmente Cristã pelo ético.

Um texto alegórico contém ensinamentos que transcenderam milênios, por isso inferimos que seja um texto obtido sob inspiração Superior, já que permite que cada um, dentro de sua faixa de evolução, absorva o ensinamento com o qual sua mente é capaz de lidar.

  A Luz Divina não ofusca, ilumina conforme a densidade da escuridão.

A Gênese da consciência.
Giselle Fachetti Machado.

 
 


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