sábado, 10 de agosto de 2013

Dia do Pai

Houve um tempo na história da humanidade, nós sabemos, e também na vida de cada um, pelo menos dos mais velhos, que se procurava ficar longe do Pai. O Pai era distante, rígido, um grande vigia do comportamento que punia rigorosamente os filhos, uma relação baseada no medo. Todos ensinavam que os melhores filhos eram os tementes ao Pai, enquanto que aos piores só cabia o sofrimento.

Mas houve um tempo, e disso nós também sabemos, em que tudo isso mudou. Contam que veio uma luz para a alma das pessoas que lhes disse ser momento de estabelecer uma nova relação. O Pai agora era presente, muitíssimo próximo, suas condenações não eram eternas e irrevogáveis, a punição já não era a marca de sua presença, a relação com ele agora era baseada no afeto. Ensinava, aquela luz, que os melhores filhos tinham carinho pelo Pai, os piores eram sempre perdoados e novamente ensinados.

Foi um momento excepcional na vida do ser humano, aprendizado que divide toda a sua história em antes e depois. A Mãe foi fundamental para tal mudança. Seu afeto foi quem abriu os corações e proporcionou, a todos os filhos, a possibilidade de compreender o cuidar e o servir como o novo padrão para essa fundamental relação.

Era o Dia do Pai. Depois de viver longo período em função de filhos carentes e ególatras, revelava-se aos filhos, pedia-lhes respeito e consideração, mas lhes ensinava que o fizessem através do respeito de um irmão pelo outro. Nada deixa o Pai mais feliz que ver os irmãos cooperando e se apoiando. Hoje sabemos que não interessa a experiência que você teve, se muito errou com ele, não importa que você ficou paralisado de medo, se você o tem acusado por injustiças. Não importa nem o nome que o Pai tenha para você, ele só nos pede respeito aos irmãos.     

E hoje é, novamente, o Dia do Pai. Dia de você abrir o coração para perdoar e pedir perdão, para entender um pouco mais de sua lógica, sua natureza, das ideias que ele tem para você, momento de abrir mão definitivamente do medo, da culpa e do rancor. Hoje você será apresentado mais uma vez ao novo Pai, na verdade o mesmo, mas que agora você, na sua maturidade, pode ver e tentar compreender. Hoje é dia para começar a viver uma nova relação, que vai limpar o padrão competitivo que você sempre viveu com seus irmãos, libertá-lo da relação de dependência que você desenvolveu com sua Mãe, a relação de menosprezo que alimentou consigo mesmo.

Hoje, finalmente, é o dia do Amor. É a hora de tornar à casa do Pai, depois de longo período vivendo para o prazer e para si mesmo. Nada mais necessário às pessoas e a esses tempos em que vivemos que se reconciliar com ele. Sujo, estropiado, condenado pelo mundo, indigno de si mesmo, hoje você poderá conhecer a verdade: que não importa o que tivermos feito para ele nós sempre estaremos em seu coração, que se pudermos colocá-lo também no centro de nosso coração, retirando todo o lixo e sujeira que temos acumulado, ganharemos a condição de sermos novamente chamados Filhos do Pai como um dia, em seus braços, nós fomos. Felizes em ser.

Maurício de Araújo Zomignani