terça-feira, 23 de agosto de 2011

A luta dos PMs do RS por dignidade salarial começa a ganhar destaque na imprensa

”Rebelião silenciosa” na Brigada
Exatamente no mês em que é comemorado o cinquentenário da Campanha da Legalidade – quando a Brigada Militar pegou em armas para defender o governo do Estado da ameaça de um ataque militar das forças federais – a realidade do Estado é completamente distinta. Hoje, praças da corporação, descontentes com os baixos salários, ameaçam inclusive paralisar as atividades. Protestos eclodem pelo Interior e podem aumentar nos próximos dias. A possibilidade de greve, envolvendo os servidores de nível médio da BM – de soldados e tenentes -, não é descartada. “Há uma rebelião silenciosa nos quartéis, e não vamos recuar”, advertiu um dos líderes das mobilizações, que pediu para não ser identificado.
Segundo ele, a queima de pneus, aos moldes do que ocorreu na madrugada de ontem na BR 285, em Passo Fundo, é apenas o começo de um movimento bem maior. O servidor lembrou que três trechos rodoviários já foram bloqueados com pneus em chamas desde o dia 4.
O mesmo receio tem o presidente da Associação dos Sargentos, Subtenentes e Tenentes da BM (ASSTBM), Aparício Santellano. “Os brigadianos estão cansados de ser enganados pelo governo do Estado.” Santellano lembra que durante a campanha eleitoral, Tarso Genro prometeu que até o final de seu mandato, em 2014, um soldado teria rendimento de R$ 3,2 mil. Já o presidente da Associação Beneficente Antônio Mendes Filhos dos Servidores de Nível Médio da BM (Abamf-BM), Leonel Lucas, observa que caberá ao governador decidir se deseja ou não enfrentar uma greve. Conforme ele, a queima de pneus integra o calendário de mobilizações do movimento “Fecha Rio Grande”. Nos próximos dias, uma assembleia definirá o futuro das ações.
Gratificação para servidores
Com relação à Brigada Militar, Pestana e Michels anunciaram, ainda, que será solicitado regime de urgência ao projeto de lei complementar que institui gratificação por permanência para os servidores da BM. Pestana afirmou que o governo tem o compromisso de construir uma política salarial de valorização dos servidores da segurança pública.
Descontentamento entre oficiais
“Para nós oficiais de nível superior da Brigada Militar, legalidade é sermos tratados e remunerados com dignidade. O restante é conversa fiada.” A afirmação é do presidente da Associação dos Oficiais da BM (Asof-BM), José Carlos Riccardi Guimarães, lembrando que os capitães, majores, tenentes-coronéis e coronéis “estão indignados com o tratamento dispensado pelo governo do Estado”.
Aos moldes dos praças, que queimam pneus para denunciar o que chamam de situação de miséria a que estão submetidos, os oficiais já começam a se mobilizar e sinalizam que também darão visibilidade ao descontentamento. “Se para ser oficial da BM é necessário ser bacharel em Direito, queremos o mesmo tratamento dado às demais carreiras do funcionalismo, com o mesmo pré-requisito de acesso”, frisou. Riccardi ressaltou que um capitão da corporação tem remuneração equivalente a 1/4 do salário pago a um defensor público em início de carreira. “Ganhando bem menos, um capitão corre muito mais riscos”, comparou.
O subcomandante da BM, coronel Altair de Freitas Cunha, ressaltou que há preocupação do comando da corporação e do governo no sentido de qualificar a remuneração do efetivo. “O governo se comprometeu a apresentar uma proposta e, por isso, qualquer manifestação, neste momento, é inoportuna”, avaliou. Altair disse que elevar os salários da tropa é prioridade do comando e do Executivo. O coronel nega a existência de uma rebelião silenciosa em andamento. Prefere crer que as três queimas de pneus são fatos isolados, praticados “por meia dúzia de servidores descontentes”.
Fonte: Correio do Povo
Chamas bloqueiam acesso a Passo Fundo
Pela segunda vez em agosto, pneus incendiados interromperam rodovias do Norte gaúcho. Na madrugada do dia em que começou a 14ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, um dos acessos à cidade foi bloqueado pelas chamas.
À margem da rodovia, junto à placa que sinaliza o acesso norte ao município, havia uma faixa com reivindicação de policiais por melhores salários. Não havia manifestantes no local quando o fogo foi apagado. O episódio se assemelha a outro em Frederico Westphalen, em 4 de agosto.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a estrada Passo Fundo-Carazinho (BR-285) foi bloqueada às 4h30min. Os bombeiros chegaram ao local 20 minutos depois e precisaram de 1,5 mil litros de água para controlar o fogo. A pista foi liberada às 5h30min.
Jadir Lusa, presidente regional da Associação Beneficente Antonio Mendes Filho (Abamf) em Passo Fundo, entidade mantida por servidores da Brigada Militar, negou participação da associação no protesto e reiterou que organiza manifestações pacíficas e ordeiras. Ontem, a entidade protestou em frente à Universidade de Passo Fundo, onde ocorre a Jornada.
– Abriremos processo administrativo caso se identifique algum policial envolvido – revela o coronel João Darci Gonçalves da Rosa, comandante do Comando Regional de Policiamento Ostensivo do Planalto.
LEANDRO BECKER | PASSO FUNDO
ZERO HORA